Ronaldo e a Tara Sports, grupo do ex-atacante, publicaram nesta quinta-feira, 17, uma carta para rebater a nota oficial da mesa diretora do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, que criticou o acordo de compra da SAF do clube celeste pelo Fenômeno. No texto, o bicampeão do mundo com a seleção brasileira explica que o aporte inicial é de R$ 50 milhões. Já outros R$ 350 milhões virão por investimento direto ou por incremento de receitas. “O valor de investimento previsto na proposta de aquisição define um aporte inicial de R$ 50 milhões, além de um compromisso de investimento de mais R$350 milhões que pode ser feito através de incremento de receitas ou de aporte direto”, diz a nota, que enfatiza a palavra “ou”.

No comunicado, Ronaldo também critica a nota emitida pela Mesa Diretora do Conselho, ressaltando que ela “expõe parcialmente dados confidenciais e distorce a realidade dos termos firmados na proposta apresentada ao Cruzeiro”. A carta também fala sobre o pedido de inclusão das Tocas da Raposa I e II, centros de treinamentos do clube, no acordo para a compra da SAF pelo Fenômeno. “Por fim, acreditamos em trabalho silencioso, sem dar publicidade a pontos contratuais em respeito às cláusulas de confidencialidade que devem ser cumpridas. O Cruzeiro precisa de estabilidade para seguir o caminho da reconstrução. O Conselho do clube é soberano e acreditamos que o julgamento dos pleitos será feito de maneira coerente levando em consideração o melhor para o Cruzeiro”, encerra.

Citada por Ronaldo, a nota do Conselho Deliberativo detona a maneira como o processo da SAF vem sendo conduzido pelo presidente Sérgio Santos Rodrigues e ainda classificou a negociação como “extremamente lesiva e desproporcional” para o clube e “excessivamente benéfica” para o Fenômeno. Além disso, o documento expõe dados do contrato protegidos sob cláusula de confidencialidade, o que abre possibilidade para o grupo do ex-jogador romper o acordo. “Entendemos que a negociação capitaneada pela XP e com a anuência do presidente Sérgio Santos Rodrigues é, de um lado, extremamente lesiva e desproporcional ao Cruzeiro, e, de outro, excessivamente benéfica ao Ronaldo, motivo pelo qual buscamos um reequilíbrio de todas as questões envolvidas no negócio”, diz trecho do comunicado.

Leia a carta de Ronaldo na íntegra:

“Diante da Nota Oficial emitida pela Mesa Diretora do Conselho Deliberativo do Cruzeiro Esporte Clube, assinada por Nagib Simões, Mauricio Silva, Marcus Lambertucci, Evandro Vassali, Alvimar Perrella, Bruno Lourenço, Paulo Henrique Pentagna Guimarães, Aquiles Diniz, Alexandre Azevedo, Pedro Lourenço e Régis Campos, que expõe parcialmente dados confidenciais e distorce a realidade dos termos firmados na proposta apresentada ao Cruzeiro Esporte Clube, esclarecemos os seguintes fatos:

O valor de investimento previsto na proposta de aquisição define um aporte inicial de R$50 milhões, além de um compromisso de investimento de mais R$350 milhões que pode ser feito através de incremento de receitas ou de aporte direto. Vale ressaltar que a opção de incremento de receita favorece diretamente a associação, uma vez que a lei das SAF obriga o repasse de 20% das receitas para quitação da dívida bilionária acumulada por anos de má gestão – fato esse que pode gerar mais R$70 milhões em receitas para a quitação da dívida e que parece ser ignorado pelos responsáveis pela Nota.

Vale ressaltar também que o pedido de inclusão das Tocas I e II na transação é simplesmente para proteção de patrimônio do Cruzeiro diante de uma realidade que se revelou significativamente mais grave do que aquela indicada nas informações inicialmente disponibilizadas e que foram utilizadas para a elaboração da proposta apresentada ao Cruzeiro. Hoje a Toca I, a sede do Barro Preto e parte de todas as receitas do futebol estão comprometidas em razão de dívidas tributárias de aproximadamente R$400 milhões, as quais não estavam previstas na negociação inicial. No curto prazo os imóveis podem ser leiloados e as receitas apropriadas por falta de pagamento.

A SAF se coloca como facilitadora não apenas para encontrar os meios de pagamento dessa dívida, como também para recolocar o futebol do Cruzeiro no seu lugar de protagonista do futebol brasileiro. Em contrapartida, o controle das Tocas pela SAF garante que o patrimônio do futebol não seja colocado mais uma vez em risco.

Por fim, acreditamos em trabalho silencioso, sem dar publicidade a pontos contratuais em respeito às cláusulas de confidencialidade que devem ser cumpridas. O Cruzeiro precisa de estabilidade para seguir o caminho da reconstrução. O Conselho do clube é soberano e acreditamos que o julgamento dos pleitos será feito de maneira coerente levando em consideração o melhor para o Cruzeiro.

#FechadoComOCruzeiro

Tara Sports
Ronaldo”

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