Segundo a Confederação Nacional de Municípios (CNM), 59% da cidades brasileiras têm resistência à vacinação infantil contra a Covid-19. Para comentar o assunto, o presidente da entidade, Paulo Ziulkoski, concedeu uma entrevista ao vivo nesta segunda-feira, 21, para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News. Segundo ele, a situação é mais complicada no Norte e no Nordeste do país. “No Norte é mais complicado ainda, até pela sua configuração geográfica, a situação real, deslocamento com barcas, outro tipo de transporte que não é o nosso aqui no Sul e Sudeste. Essas são as regiões que mais oferecem maior problemas de falta de vacinação, menor cobertura vacinal em crianças de 5 a 11 anos”, afirmou Ziulkoski.

“São vários os fatores que eu poderia elencar [que provocam esse dado], pela nossa sensibilidade e conversas que tivemos com os municípios. Primeiro, que há um grande trabalho nos últimos dois anos, e vocês mesmos têm divulgado isso sistematicamente, de fake news, de pessoas pregando que a vacina não é segura, procurando formar na opinião das pessoas esse possível perigo na aplicação da vacina que nós não concordamos nunca. Isso, para mim, é o principal fator. Segundo fator, eu diria que há também já ao longo dos últimos anos uma arrefecimento na aplicação de outras vacinas. Em torno de 10% de vacinas que não se atingiam [a meta vacinal] e isso foi aumentando, por falta de interesse, de coordenação nacional, de conscientização. Quanto à vacina específica [da Covid-19], os municípios também encontraram um período inicial em que [as crianças] ainda estão de férias e, agora, é que os prefeitos começam a impulsionar por demanda, indo nas escolas diretamente”, informou o presidente da CNM.

Ziulkoski ainda afirmou que, segundo a pesquisa da CNM, há falta de vacinas no país. “Nós temos um percentual até alto, em torno de 15% a 16% [dos municípios] faltou vacina. E isso é uma constante desde o início da [pandemia] da Covid-19. Sempre está faltando vacina e, agora, mais ainda porque, ao nosso ver, o governo vai quase que sendo empurrado para comprar vacina. Criam tudo que é problema para comprar vacina e depois alegam que não conseguem distribuir. Falta um empenho do governo, isso é histórico, é uma luta que nós temos. Se não fosse o Supremo [Tribunal Federal] dar autonomia para os municípios mais os Estados, eu não sei o que seria”, disse.

“Isso [a vacinação] cabe às prefeituras, porque ao governo federal cabe tão somente comprar as vacinas e mandar, não faz mais nada, e não coordenar. Porque está faltando exatamente uma coordenação nacional de estímulo à vacinação. Há um trabalho contrário à vacinação. Os municípios têm que fazer o inverso lá na ponta, indo nas escolas, fazer busca nas creches, buscando os pais para que eles levem as crianças para que haja a vacinação. É fundamental esse interesse”, pontuou.

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