Casos de gripe e Covid-19 disparam no Distrito Federal (DF), aumentando a pressão sobre o sistema público de saúde. O movimento nos postos e demais unidades de saúde da capital brasileira no começo da semana já dava o alerta de que a procura por atendimento aumentaria. A espera estava demorada, as filas cresceram e sobrou reclamação. Pacientes criticaram a falta de profissionais para realizar o atendimento, receitar remédios e entregar atestados médicos. Muitas pessoas chegaram a passar a maior parte do dia aguardando serem atendidas.

Gilmar Rodrigues passou o dia tentando atendimento para que estava com suspeita de Covid-19. Ele relata que ela foi a várias unidades em busca de atendimento: “Disseram a ela que não tem atendimento. Aí ela perguntou para onde ir e eles não dizem, não encaminham pra lugar nenhum. Está com sintomas e não tem atendimento. Estou indo lá, vou falar com a direção do hospital, se não souberem, vou até a Secretaria de Saúde. Tem que existir uma resposta”, criticou. Mais tarde, com a nora já em atendimento, o sogro desabafou em vídeo: “Essa moça passou mal no trabalho, está com bastante tosse, muita febre, dor de cabeça, a única coisa que fizeram foi o teste de Covid-19 e de dengue. Não passaram nenhuma prescrição, remédio, nada, porque não tem médico para atender. Essa moça ficou duas horas aqui, não tem médico e não encaminham para lugar nenhum”, disse. As histórias foram se repetindo com outros pacientes. Um homem que havia positivado para Covid-19 aguardava atendimento em meio à longa espera. No saguão do hospital, uma enfermeira tentava organizar a espera.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal agiu no mesmo dia e divulgou um link com a seguinte manchete: ‘Mais 23 pontos de testagem disponíveis para a população’. Em seguida retirou o link do ar, mas, por e-mail enviado anteriormente, havia mais detalhes. Farmacêuticos estavam em treinamento para atender a demanda e, além de UBSs, os testes também poderiam ser feitos em drogarias espalhadas por Brasília – uma parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos.

No fim da tarde a movimentação já era mais tranquila no Hospital Regional da Asa Norte, mas no Hospital Materno Infantil, Talita sofreu com o bebê de seis meses e outro filho de seis anos. Ela passou mais de dez horas de espera para testar as crianças que estavam com suspeita de Covid-19. “Estamos aqui desde cedo, eu estou com a ficha amarela da minha filha, meu filho também é amarela, está com 38,5 de febre. Até agora, ele só passou pela triagem. Tanto ele quanto a minha filha e todos que estão aqui nesse hospital”, relatou a mãe. Paulo também queria testar o filho. A criança de seis anos estava com sintomas de gripe. “Quando a gente chegou, falaram que iam atender. Essa é a nossa indignação, a gente não sabe se é gripe, se é Covid, porque a gente não tem diagnóstico nenhum. Nós estamos perdido aqui. Os hospitais, nenhum, não tem médico, não tem atendimento. A gente vai para onde?”, questionou. O dia anoiteceu e ninguém conseguiu ser atendido.

*Com informações da repórter Francy Rodrigues

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